POEMA DE DYLON THOMAS
Morreu no hospital St. Vincent em novembro de 1953. Hemorragia Cerebral foi o laudo médico. Mas essa é uma classificação pobre. Poetas não morrem de hemorragia cerebral. A hemorragia é uma conseqüência. Eles morrem de linguagem. E foi a linguagem de Thomas, em suas poesias recitadas pela BBC de Londres, que ajudou o povo inglês, vítima dos bombardeios da segunda guerra, a enterrar seus filhos. Uma vez ele disse o seguinte:
E a morte não terá nenhum domínio.
Nus, os mortos irão se confundir
Com o homem no vento e a lua no poente;
Haverão de brilhar as estrelas em seus pés e cotovelos;
Ainda que enlouqueçam, permaneceram lúcidos,
Ainda que submersos pelo mar, haverão de ressurgir;
Ainda que os amantes se percam, o amor persistirá;
E a morte não terá nenhum domínio.
E a morte não terá nenhum domínio.
Aqueles que há muito repousam sob as dobras do mar
Não morrerão com a chegada do vento;
Acorrentados à roda da tortura, jamais se partirão;
Em suas mãos, a fé irá fender-se em duas,
E as maldades do unicórnio os atravessarão;
Espedaçados por completo, elas não se quebrarão.
E a morte não terá nenhum domínio.
E a morte não terá nenhum domínio.
Não mais irão gritar as gaivotas aos seus ouvidos
Nem se quebrar com fragor as ondas nas areias;
Onde uma flor desabrochou não poderá nenhuma outra
Erguer sua corola para as rajadas da chuva;
Ainda que estejam mortas e loucas, suas cabeças
Haverão de enterrar-se como pregos através das margaridas,
Irrompendo no sol até que o sol se ponha.
E a morte não terá nenhum domínio.
Dylan Thomas.
Escrito por Carolina de Loar às 17h29
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